Segurança privada na Sapucaí (Sambódromo - Rio) é feita por 300 PMs, entre os quais 60 oficiais (Fonte: http://oglobo.globo.com/carnaval2009/rio/mat/2009/02/21)
Arregimentados pelo coordenador de segurança da Liga, coronel da reserva da PM Celso Pereira de Oliveira, de 61 anos, oficiais recebem diárias que variam de R$ 350 a R$ 850 para atuar no esquema de segurança da Passarela do Samba. Classificado no estatuto da PM como transgressão disciplinar, o "bico" dos oficiais e praças para os dias de desfiles de carnaval da Liesa é pago pela empresa MJC Eventos e Serviços, através de Recibo de Pagamento de Autônomo (RPA). A empresa figura no cadastro da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerj) em nome das filhas do coronel Celso.
A participação de PMs, principalmente oficiais graduados, na segurança privada da Passarela do Samba gera controvérsia na cúpula da PM. No Batalhão de Operações Especiais, o "bico" para a Liesa é punido com o desligamento dos policiais. Há quatro anos, o então comandante do Batalhão de Choque, coronel Romilton Corrêa, prendeu um tenente da unidade que estava arregimentando oficiais para trabalhar na avenida. O tenente ficou detido administrativamente por 30 dias. Na nota de culpa, o coronel justificou a prisão informando que o tenente havia sido flagrado trabalhando para a contravenção.
A quantia paga pela MJC Eventos através de RPA a coronéis e tenentes-coronéis representaria, ao fim de cinco noites de desfiles, incluindo apresentações das escolas mirins (sexta-feira), Grupo de Acesso (sábado), Grupo Especial (domingo e segunda-feira) e Desfile das Campeãs (sábado), um reforço de R$ 4.250 na renda dos oficiais. A remuneração média mensal de um tenente-coronel é de R$ 4.700, sem contar gratificações.
O sociólogo e ex-subsecretário de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares, afirma que não há como cobrar dedicação exclusiva dos policiais às corporações com os salários pagos atualmente
- É por esse motivo que superiores na hierarquia das polícias e autoridades dos governos fingem que não veem os policiais fazendo "bico". Para mudar esse quadro é preciso encarar a realidade do orçamento da segurança pública, que não suporta pagar aumentos dignos aos policiais- afirma Luiz Eduardo.
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